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quinta-feira, 25 fevereiro, 2021

A riqueza das Nações

Um dos grandes enigmas para as pessoas que não tem conhecimento para revisar a teoria econômica está exatamente em entender a questão da riqueza das nações. E surgem algumas questões:

Por que é que alguns países são mais ricos do que os outros?

Por que alguns países crescem rapidamente enquanto outros parecem presos em uma armadilha da pobreza?

Que políticas podem ajudar a elevar as taxas de crescimento e padrões de vida em longo prazo

Uma das perguntas às respostas está na obra de Gregory Mankiw um economista e professor na Universidade de Harvard. Ele enfatiza que as sociedades que investem na produção do capital humano, geralmente levam vantagens comparativas e competitivas sobre outras, que acreditam que a riqueza está na fartura de recursos naturais.

Os apontamentos de Mankiw demonstram que o capital humano para ser produzido é necessário professor qualificado, bibliotecas, brinquedos para despertar o cognitivo e uma massa de jovens motivados e com tempo disponível para se dedicar aos estudos. É a alavanca para a produtividade, o bem estar social e um desenvolvimento econômico sustentável.

A abundância de capital natural pode deixar a sociedade atrasada, pois os recursos são controlados por uma casta e não tem interesses em aplicar politicas públicas para estimular a produtividade, pois o berço esplendido já está ao seu bel prazer. Isso justifica a pobreza endêmica em países como os do Oriente Médio, nos quais uma minoria se move em carros luxuosos e a maioria com os pés queimando no chão quente do deserto.

O ultimo questionamento vou fazer uso das palavras de uma professora da Universidade da Califórnia Janet Yellen: “A teoria econômica não é apenas algo que se encontra nos livros. Nem é simplesmente uma coleção de modelos. Na verdade, passei da academia para o governo porque acredito que a política econômica pode ser uma ferramenta poderosa para melhorar a sociedade. Podemos – e devemos – usá-la para enfrentar a desigualdade, o racismo e as mudanças climáticas. Ainda tento ver minha ciência – a ciência da economia – da maneira como meu pai (um médico) via a dele: como um meio de ajudar as pessoas.” Yellen é uma daquelas pessoas para quem a economia integra o campo das ciências humanas, apesar das interfaces com as ciências exatas.

É Inevitável confrontar o posicionamento de Yellen com o dos liberais e os heterodoxos economistas brasileiros, que se recusam a enxergar o que o mundo inteiro já enxergou o fracasso das políticas econômicas comandada exclusivamente para o mercado financeiro como promotores do bem-estar da sociedade.

Infelizmente, o Brasil está sempre atrasado em termos de apropriação das tendências. O mundo anda e a gente demora em incorporar as mudanças. A mudança é inevitável e o mundo já está mudando em outro sentido e a gente ainda está num discurso antigo da época de ausência do Estado e tentando ressuscitar os modelos de Reagan e Margarete Tatcher já abandonados até por agências como o Fundo Monetário Internacional.

Será que estamos necessariamente condenados à pobreza para sempre, ou vamos seguir o modelo de Cingapura que tinha rendimentos baixos em 1960 e agora são bastante elevados? Acredito que aplicar o modelo de desenvolvimento econômico compartilhado da China será um passo decisivo para equilibrar o jogo no continente americano.

Everton Araújo
Economista e professor universitário

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