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sábado, 27 fevereiro, 2021

O terror da esperança e a crise de expectativa

“A esperança é um alimento da nossa alma, ao qual se mistura sempre o veneno do medo”. Certeza que os propagandistas dos governos recorrem de maneira intencional aos ensinamentos de Voltaire, Spinoza e outros filósofos para vender uma expectativa de prosperidade na sociedade, ao mesmo tempo em que pregam o espectro da desgraça.

Após a grave crise econômica de 1929 nos Estados Unidos da América, um economista inglês revolucionou a ciência econômica com a sua obra A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. Keynes demonstra em seu modelo de desenvolvimento econômico que uma nação para avançar depende de uma demanda efetiva agregada a qual é derivada exclusivamente das decisões de empresários em um ambiente de livre mercado.

Tal liberdade no modelo brasileiro não é possível, pois o Estado brasileiro também é um grande produtor de bens e serviços, os quais na atual conjuntura vêm demonstrando baixa produtividade, provocada pelo aparelhamento das estatais que são corroídas pela corrupção e pela demagogia dos chefes de Estado. Se não bastasse tal inoperância o governo brasileiro é sócio majoritário de todas as empresas privadas aqui instaladas, salvo algumas exceções.

Vamos à reflexão: Os mais céticos duvidavam de muita coisa que a propaganda estatal mostrava principalmente durante a crise imobiliária no EUA, onde os “chefes” brasileiros nadando na maré calma, provocada pelo elevado preços das commodities, chegou a afirmar que aqui era o paraíso e falou até em marolinha. Pois bem, com a idéia de conter a avalanche dos ajustes dos países de primeiro mundo, estimulou o consumo patológico com gastos do governo, desonerando as grandes cadeias produtivas sem exigir contrapartidas, como por exemplo, a distribuição mais equitativa dos lucros para efetivar a demanda.

O governo subsidiou o consumo de energia elétrica e combustível criando uma expectativa de que a nação é autossuficiente em energia. Distribuiu muita grana para os setores de educação privada e induziu muitos jovens sem base a buscar formação superior, ao invés de seguir os modelos de formação européia que estimulam os adolescentes a buscar um oficio em cursos profissionalizantes e técnicos o que alavanca a produtividade e permite ao cidadão buscar a carreira dos seus sonhos. Não uma profissão induzida pela mídia de massa e pelo marketing muitas vezes irresponsável dos grupos de educação vendedores de ilusão.

Gostaria que os jovens hoje saindo das faculdades de engenharia, muitos deles sem domínio da literatura e sem condições de revisá-las, perguntem aos nossos governantes: Cadê a demanda retraída por engenheiros? A maioria está sobrevivendo com o trabalho informal e sonhando com a farsa do empreendedorismo sem criatividade e inovação.

Toda essa farra com o dinheiro público poderia ser aplicado nos projetos de infraestrutura, na desoneração do consumidor para manter o fluxo circular e na escola de base para formar consciência coletiva e massa critica. Mesmo porque empresário que tem instinto não empreende esperando pelas benesses do governo e sim por um ambiente livre da mão visível do estado para competir.

O sonho impossível da riqueza fácil em um país onde o fosso da desigualdade social era preenchido pela chama do consumo patológico, a idéia de pertencimento e a ilusão de mobilidade.  Acabou o nosso sonho americano. Patrocinado pela brutalidade dos nossos governantes que criaram uma expectativa de prosperidade e incorporada pela “arte” ilusionista do funk ostentação e do sertanejo universitário. 

Vale lembrar para minha geração que essa crise é bem diferente da qual vivemos, lá era uma crise de abastecimento onde nenhum empresário era insano em ofertar bens e serviços em um ambiente de mercado fechado e regulamentado em benéfico de poucos. Atualmente por força da integração global o cenário é melhor, mas os modelos econômicos por aqui implantados não estão presentes na literatura da ciência econômica.  Isso é que dá viver em um país, no qual qualquer palpiteiro de botequim quer ensinar ciência a Prêmio Nobel. E o que nos resta?  Recorrer novamente à escola de filosofia francesa para nos iluminar. “É horrível assistir à agonia de uma esperança.”Simone de Beauvoir

Everton Ubirajara
Professor universitário e economista

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