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quarta-feira, 27 janeiro, 2021

Custo de vida em dólar e o fantasma da inflação

Analisando o comportamento das variáveis que compõem o Produto Interno Bruto do Brasil, fica evidente o desequilíbrio dos fundamentos da economia. Instrumentos macroeconômicos não estão sendo aplicados conforme o cenário exige. Talvez por falta de autonomia dos técnicos do governo ou até desconhecimento da alta hierarquia.

As politicas macroeconômicas devem ser aplicadas para estimular a demanda agregada, como o consumo das famílias, pois a euforia para reduzir a taxa básica de juros desde o governo anterior estimulou a valorização da moeda de referência global, a qual tem influência sobre os preços externos e internos e o efeito sobre o consumo foi negativo. A queda brusca no investimento externo direto e o aumento da capacidade ociosa dos meios de produção são sinais de que a recuperação do poder de compra da sociedade está comprometida.

Uma politica fiscal expansiva terá efeitos mais urgentes sobre o consumo e o investimento privado. Cabe ao governo aumentar seus gastos com racionalidade, podendo até aproveitar a sua capacidade de endividamento, pois ainda tem um rating considerado bom, mesmo sendo rebaixado para uma nota menor pela agência de classificação de risco Fitch.

Os estímulos do governo provoca o efeito multiplicador de rendes e causa motivação nos agentes econômicos, a reação é em cadeia e provoca um fenômeno no comportamento dos empresários e consumidores. Será a alavanca para a sustentabilidade social e econômica em momentos de recessão.

É sabido que a existência de mobilidade de capitais só é possível escolher entre regimes de taxas de câmbio alternativos utilizando a autonomia da política doméstica como variável de ajuste. No contexto da globalização, o regime predominante é o de taxas de câmbio flutuantes no qual, em tese, se preserva alguma autonomia da política doméstica. Os sistemas com taxas fixas são possíveis, mas às custas do total sacrifício das metas de política econômica internas. Diante dessa rigidez da ciência econômica o instrumento da politica cambial não deve ser aplicado diretamente e sim administrado, pois seus efeitos podem ser nocivos para o desequilíbrio de todo o sistema.

A influência do dólar na economia doméstica ocorre estimulada pela taxa de juros básica e por ausência de uma politica comercial bem definida. A fuga de capital e a incapacidade do país em atrair novos investimentos, as exportações passam a ser a salvação da lavoura em curto prazo porque a nossa pauta de produtos demandado pelos estrangeiros tem uma demanda interna constante. Essa concorrência dolariza o mercado doméstico e retira o poder de compra da massa que tem renda em moeda local. Basta observar a correlação entre os indicadores de inflação, o oficial e o que orienta o setor privado.

A cesta de produtos e serviços que são utilizados como base de cálculos é basicamente os mesmos, portanto, não acredito em manipulação de dados por técnicos do governo como ocorreu na década de 1970 e sim na rigidez da metodologia. O índice privado calculado pela FGV é flexível e vai ajustando conforme a variação das moedas tornando mais próximos da realidade no varejo.

Em épocas de estabilidade econômica esses indicadores as variações quase não existem, tornando os custos equivalentes e mantendo o poder de compra ajustado com a realidade. Os contratos são reajustados por IGPM enquanto os salários são corrigidos pelo indicador oficial. Além dos problemas de ordem financeira esse descompasso entre os indicadores pode vir a gerar certa desconfiança por parte de investidores, pois o país tem históricos de indicadores montados para camuflar a realidade.

Para ilustrar a razão da desconfiança vou recorrer à teologia e a filosofia: “O cão volta ao seu vômito” e mais: “A porca lavada volta a revolver-se no lamaçal”. Pedro 2;22. Já Aristóteles filósofo grego diz: “Que vantagem tem os mentirosos? A de não serem acreditados quando dizem a verdade”.

Everton Araújo
Economista e professor universitário

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