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sábado, 23 janeiro, 2021

Natal com mesa de pobre

Este foi um ano totalmente atípico. Em tudo. Até os preços do chester, do peru, do bacalhau, outro mais comportados, resolveram por as manguinhas de fora. Bebida importada, como vinhos, uísque, champanhe, só pra quem tem dinheiro sobrando. De um lado está a crise provocada pela pandemia; de outro, a eterna ganância das fábricas, distribuidores e comerciantes.

A carne bovina havia subido, até o começo do mês, 40%. Nos supermercados, já dá pra sentir, há algumas semanas, que promoção é coisa do passado. Ou melhor, há promoção.

Um supermercado colocou alpiste em oferta – como se nós, humanos, fôssemos comer sopa de alpiste no Natal. Outro resolveu liquidar potinhos plásticos, se bem que esse tenham alguma utilidade para se guardar pequenas sobras. Quando sobra.

Mas, pelo que se vê, o Natal poderá ser de pobre, mas o Reveillon vai ser a mesma baderna de sempre. Não faltará foguetório, viagens ao litoral e as férias de começo de ano, que ninguém é de ferro – apesar de muita gente estar sem trabalho, e portanto, não está tão cansada assim. Mas é costume arraigado no nosso país.

Não sabemos como será o Natal. Temos uma nuance: será mais pobre, mais comedido, com menos excessos. Mas já podemos antever as cenas de final de ano; estradas lotadas, filas nos pedágios, falta de água nas cidades do litoral, filas nos supermercados dessas cidades, filas nas peixarias e nos açougues. Veremos entrevistas na TV, onde repórteres desprovidos de cérebro entrevistarão verdadeiras amebas para opinar sobre o Ano Novo. Entrevistas que certamente terminarão com a expressão: É nóis!

Muitos deixarão de lado seus queixumes sobre preços. Gastarão a rodo, graças ao cartão de crédito, agora disponível pra qualquer mané. Mas aí virão janeiro e fevereiro, com IPTU, IPVA, matrícula na escola, reajuste de aluguel, de condomínio… E todos irão se lamentar, culpar alguém pela desgraça. E o culpado de tudo certamente será Bolsonaro.
Ou será que ainda é cedo para colocar essa culpa nele?

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A Editora Urbem faz parte do Grupo Novo Dia e edita livros de diversos assuntos e também a Urbem Magazine, uma revista periódica 100% digital.

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