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sexta-feira, 22 janeiro, 2021

A hipocrisia já está no ar

Chegou dezembro, e com ele, o mesmo de sempre. Nada muda há pelo menos 50 anos. Natal, dizem uns, é a salvação do comércio; para outros, tempo de esperança; para outros ainda, sinal de mesas fartas, bebedeiras e troca de presentes. Pura hipocrisia. Esperar o que? Mesas fartas serão para poucos, bebedeiras para todos. A única coisa que mudou nesses mais de 50 anos é o cartão – até outro dia era de papel, agora é virtual.

Em lojas e supermercados, a música ambiente é aquela – ou tem coral cantando que o Papai Noel é bonzinho e não esquece de ninguém, ou tocada por harpa. E quem toca harpa hoje em dia? Ninguém. Papail Noel bonzinho, toda criança já sabe, é o chefe de família que consegue sobreviver em meio à roubalheira dos políticos e ainda fazer sobrar algum dinheiro para comprar um brinquedo, uma roupa nova, um tênis da moda.

Nos supermercados já apareceram o tender e o chester. Caríssimos, por sinal. Apareceram os espumantes, que a vil ralé pensa que é champanhe. Não faltam panetones. E quem disse que nessa época somos obrigados a engolir essas porcarias? Um calorão de dezembro (o verão começa oficialmente dia 21) e a turba se empanturrando de gordura, de calorias. Só porque é Natal.

O barulho está na cidade inteira. Minguaram, por ora, as festinhas de confraternização “da firma”. Aquela reunião onde todo mundo fala alto e acontece a troca de presente do amigo secreto. A mesma festinha que a mocinha, embalada pelo álcool, vai confessar ao coleguinha estar apaixonada por ele. Milhares de fotografias dessas festinhas serão postadas em redes sociais. E não faltarão zelosas esposas fiscalizando o Facebook ou Instagram do marido, que é chefe na empresa e presença obrigatória na confraternização.

Muitas das festinhas terminarão em choro. Garçons serão proibidos de tirar as garrafas vazias de cerveja da mesa, que é para que os outros saibam o quanto está se bebendo. O mais espertinho da mesa pedirá a conta e fará o cálculo de quanto cabe a cada um pagar – logicamente que ele se deixa fora dessa divisão. Todo fim de ano é a mesma merda.

E tome musiquinha de Papai Noel! Musiquinha que está em carros de som e até num banheiro imundo de um supermercado gigantesco. Melhor é observar e se divertir. Rir da ignorância alheia. Como de duas mulheres que se encontraram em determinado bairro, e uma falou à outra que estava com pressa, porque iria à “bréq fráidei”. Rir das pessoas sem noção, que se vestem pessimamente mal para frequentar lojas do Centro – que elas chamam de cidade.

Época também de intermináveis desfiles de carros velhos, rebaixados, tocando funk em volume ensurdecedor, pelas ruas centrais. Cena típica: carro velho, barulhento, ocupado por três ou quatro rapazes em busca de aventuras amorosas. E qual mulher é louca de aceitar carona de um bando assim?

Há os que gostam de ostentar. Sacolas com o nome de lojas populares cheias. Tudo comprado no crediário – se vai pagar as prestações é outra história. Salões de beleza certamente ficarão lotados para dar bilho às unhas e aos cabelos, para combinar com o vestido novo e com a sandália da moda. Muitos se anteciparão e comprarão suas roupas para o Reveillon. E haja superstição. Amarelo para atrair dinheiro, vermelho para dar certo no amor. Branco, só para os mais puros.

Mas vai passar. Em janeiro virão as contas. Até lá a gente conversa.

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