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sexta-feira, 22 janeiro, 2021

A noite do chororô

A noite do próximo domingo promete ser de chororô para milhares de candidatos que se aventuraram nas eleições deste ano. Formam a maioria dos chorões os deslumbrados, os mal preparados e os que acreditaram em promessa de eleitores. Sim, eleitor, tal qual candidato, também faz promessa. E, em vez de olharem para si, procurando descobrir suas falhas, vão procurar culpados.

Um dos culpados é o cabo eleitoral, que não trabalhou como deveria. Outros – e para muitos – é a imprensa, que noticiou todas as besteiras ditas durante a campanha, que publicou pesquisas confiáveis e sérias ou que não deu voz às pregações eleitorais. Alguns vão se arrepender de suas escolhas para campanha; outros vão insistir no erro daqui a quatro anos. Sempre foi assim, e pelo jeito não vai mudar.

E há todo tipo de perdedor. O candidato que procurou uma agência para cuidar de sua campanha mas achou que o preço era alto demais – afinal, ele tem um vizinho que tem computador em casa. E o vizinho fez o curso do Office. Sabe até fazer planilha. Cobra baratinho e faz tudo o que o candidato manda. Não aconselha, não sugere porque é uma anta, igualzinho ao candidato.

Há o candidato que foi à gráfica pedir orçamento. Achou absurdo. Servicinho fácil, é só colocar na máquina e em algumas horas seu panfleto fica pronto. Há o candidato rodeado de assessores (puxa-sacos) que não atende imprensa e quando atende exige ler a matéria antes de ser publicada. É o típico aspirante a ditador.

Perdedores arrependidos vão lembrar das rodadas de cerveja pagas em bares a bandos de cachaceiros que lhe prometeram votos. Vão se lembrar dos troféus doados a torneios de truco ou buraco. Vão lembrar também que o dono do bar até deixou colocar uma faixa na parede com seu nome, durante o torneio – mal sabendo que no dia seguinte haveria outro torneio, com outro candidato patrocinador.

Haverá muitos chorando pelo dinheiro gasto inutilmente durante a campanha. Pagaram contas de luz, compraram botijões de gás, milheiro de blocos, sacos de cimento… e nada dos votos. Na solidão do chororô, lerão seus estúpidos e ignorantes santinhos, onde escreveram prometer combater os “istrupos”, aumentar a quantidade de “cestas base” e mexer nas leis do “aviso breve”.

Alguns terão a mulher ao seu lado para consolá-los. E algumas mulheres, à essa altura, já estarão se consolando em outros braços menos idiotas. Eleição é assim mesmo. Daqui a quatro anos a história vai se repetir, e ainda haverá candidato que não sabe que, ao anunciar sua candidatura, ganha duas pechas: chifrudo e ladrão. São eleições brasileiras. Mas ninguém aprende.

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