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segunda-feira, 26 outubro, 2020

É virgem? Então prova

Governo francês quer proibir os certificados de virgindade em sua lei contra os separatismos religiosos.Mas tem ginecologistas discordando

Vamos lá: alguns grupos religiosos exigem que a mulher, antes de casar, passe por um exame ginecológico para provar que são virgens. Sem esse certificado de virgindade, nada de casamento. E isso acontece muito na França, principalmente entre grupos islâmicos.

Agora o governo francês, que está para aprovar uma lei contra separatismos religiosos, quer abolir a prática. “A dignidade das mulheres não se negocia”, diz a ministra Marlène Schiappa, da Cidadania, principal defensora da proibição dos certificados de virgindade.

Médicos do mundo inteiro aprovam a iniciativa, mas muitos colocam ressalvas. Acreditam que penalizar quem exige tal certificado não resolve o problema. Para eles, a melhor maneira de acabar com isso é com a mudança de mentalidade. Ou seja, mais educação, menos castigo.

“Antes de se casarem, algumas provam um vestido branco, outras um anel, ou fazem a lista de convidados… mas, para outras, os preparativos da cerimônia são menos alegres. Para algumas, casar-se significa sofrer o que se chama de teste de virgindade, que um profissional a examine e certifique’sua virgindade. Assim como alguém se assegura do pedigree de um animal, da pureza do seu sangue, antes de comprá-lo”, afirma a ministra.

Há dois anos, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, a ONU-Mulheres e a Organização Mundial da Saúde (OMS) defenderam a proibição dos exames de virgindade.

Na França, a Ordem dos Médicos, responsável pela regulação da categoria, orientou no ano passado a recusar os pedidos de certificados de virgindade, assim como fez o Colégio Nacional de Ginecologistas da França. Até agora, entretanto, não há uma proibição formal.

Mulheres como Fatiha Boyer, da associação feminina Nem Putas Nem Submissas e muçulmana muito ativa na luta contra o extremismo religioso, aplaudem a iniciativa. “Como mulher, como mãe de três meninas, considero abjeto e uma desonra para a mulher ter que apresentar esse certificado a seu futuro esposo e sua família. É uma ótima idéia retirá-los, é algo ancestral que é preciso excluir da sociedade”, afirma.

Ninguém sabe o tamanho do problema porque esses certificados não são oficiais nem estão registrados. Médicos afirmam que só recebem pedidos desse tipo duas ou três vezes por ano. “É algo marginal, esta lei é para fazer publicidade, não é o problema mais grave. O verdadeiro problema é por que essas famílias não foram capazes de mudar de opinião sobre o direito das mulheres de dispor do seu corpo, por que continuam tão obcecadas com a pureza e a virgindade, não que essas garotas necessitem do apoio de um médico”, dizem os médicos.

Mas isso só vai ser resolvido no próximo ano. Até lá, deputados vão discutir, ONGs darão seu pitaco, e a mulherada que ainda é controlada por pais e irmãos mais velhos deverão continuar provando que são virgens ao casar. Como se isso adiantasse alguma coisa.

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A Editora Urbem faz parte do Grupo Novo Dia e edita livros de diversos assuntos e também a Urbem Magazine, uma revista periódica 100% digital.

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