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sábado, 19 setembro, 2020

Foi interpretação ou sexo de verdade?

A atriz Julie Christie e o ator Donald Sutherland foram bons amigos. Pra lá de amigos. Frequentavam juntos as baladas, passeavam, e trabalharam juntos em alguns filmes. Uma amizade que beirava a intimidade – há quem garanta que os dois tiveram tórridos romances. Até que foram convidados a trabalhar no filme Inverno de Sangue em Veneza.

No filme, rodado em 1973, há uma cena de sexo. Nada explícita. Nada pornográfica. E a cena ficou tão real que desde que o filme foi lançado há uma dúvida – Julie e Donald interpretaram ou fizeram sexo pra valer? As respostas são duas e óbvias. Donald, numa entrevista logo após o lançamento do filme, admitiu sua indiscrição, e disse que foi sexo de verdade. Tempos depois, se desmentiu, dizendo que havia falado isso para promover o filme. No dia da estréia, Donald e Julie, assustados com a história que já circulava, resolveram negar. Disseram que foi só interpretação. E ninguém acreditou. Entrou aí a velha tese: com quantas mentiras se faz um desmentido.

A cena foi rodada num hotel de Veneza em janeiro de 1973, o Bauer Grunwald (hoje Hotel Bauer Palazzo). No quarto havia quatro pessoas – os dois atores, o diretor Nicolas Roeg e o diretor de fotografia Tony Richmond. Entre uma tomada e outra, o diretor corrigia a posição dos atores e passava instruções. O diretor havia garantido aos atores que a cena seria rápida, no máximo dez minutos. Ficaram uma hora e meia na cama, nus.

Perto do final das gravações, Julie Christie começou a rir, o diretor parou de dar instruções e os atores se deixaram levar no embalo de carícias. A cena ficou espontânea demais para ser só interpretação. A cena nem estava prevista no roteiro, mas acabou sendo incluída pelo diretor. Quando ele propôs isso à atriz, ela aceitou. Ele, mais tímido, se deixou convencer pela necessidade de um ator fazer o que o filme exige. Foi algo meio inusitado na época – nada de dublês de corpo, nada de lençóis escondendo a intimidade.

Depois da gravação, a montagem. E foi aí que o diretor colocou seu dedo, literalmente. Decidiu alternar sequências de Laura (Christie) e John (Sutherland) fazendo amor com breves inserções do casal se vestindo para jantar após sua improvisada sessão de sexo. Segundo o próprio Roeg, foi principalmente uma tentativa de reduzir a crueza da cena para que o filme pudesse passar pelo corte da censura Inglaterra.

Os censores ingleses aprovaram a cena. Eles a consideraram muito digna, “realizada com bom gosto e perfeitamente justificada do ponto de vista narrativo”, demonstrando que nem todos que exercem a censura são caretas. Nos Estados Unidos, Roeg só precisou eliminar nove fotogramas (nos quais se intuía o pênis de Sutherland e sua língua entre os quadris de Christie) para que o filme fosse qualificado como “R” (que pode ser visto por adolescentes acompanhados por pais ou responsáveis) em vez de “X” (proibido para menores).

A encrenca mesmo começou meses depois, quando o filme estreou na Inglaterra e nos Estados Unidos. Numa entrevista, Sutherland deixou escapar sua indiscrição, mas o repórter não a publicou. Preferiu passar a história para um colunista de fofocas do jornal Daily Mail. E apimentou a história – Warren Beatty, na época namorado de Julie Christie, teria viajado a Veneza para tentar convencer o diretor Roeg a não gravar tal cena.

A própria Christie declararia anos depois que aquela era uma lenda urbana mal-intencionada e ridícula: “Warren era meu namorado, não meu agente nem meu tutor legal. Não era ninguém que pudesse tomar decisões sobre minha carreira nem fazer exigências desse tipo”.

Os ecos da velha polêmica já tinham praticamente se dissipado quando, em 2011, um coadjuvante surgiu em cena reivindicando seus 15 minutos de fama. O jornalista Peter Bart, que tinha sido produtor executivo da Paramount em 1973, publicou Infamous Players: A Tale of Movies, the Mob (and Sex), um livro de memórias de seus anos dedicados ao cinema, com clara vocação de best seller polêmico. Nele, afirmou que esteve presente durante a filmagem da cena e assistiu, com crescente espanto e incômodo, ao vaivem do pênis de Sutherland muito perto da vagina de Christie. Em determinado momento, segundo a versão de Bart, “o ângulo em que os dois corpos estavam não deixava dúvidas: estavam transando diante das câmeras”.

Em 2013, como preparação para a filmagem da primeira temporada de Masters of Sex, a equipe da série, produtores, técnicos e atores, buscou inspiração vendo e comentando uma seleção de 50 cenas de sexo de filmes dos últimos 40 anos. A melhor, na opinião de quase todos eles, era a mais antiga. A de Inverno de Sangue em Veneza.

A melhor explicação para a cena veio de Julie Christie tempos depois. Mas também não convenceu. Ela disse que se a cena de sexo parecia real demais, era sinal que tanto ela quanto Sutherland eram bons intérpretes. Então tá.

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