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sábado, 27 fevereiro, 2021

Acha muito uma nota de 200 reais?

Desde o começo do mês já está circulando a nova cédula de R$ 200. Depois que foi anunciada, todo mundo achou pelo em ovo. Falou-se as pessoas ficariam confusas, que faltaria troco no comércio e até o lobo-guará, que ilustra a nova cédula, foi criticado. Há quem prefira outros animais na cédula, mas a escolha do Banco Central foi feita após pesquisa com o público. Até então, a cédula de maior valor era a de R$ 100, lançada em 1994, junto com o Plano Real.

Se a nova cédula está ou não trazendo problemas para o público e para os comerciantes, é outra história. Outros países têm notas bem maiores. Na Europa, a cédula de maior valor do euro, a de 500, vale mais que três salários mínimos no Brasil. Raramente circulam, uma vez que por lá o povo gosta de pagar tudo eletronicamente. Nos Estados Unidos, a maior é a de 100 dólares – quase 600 reais se trocada por dinheiro brasileiro.

O recorde mesmo está na Inglaterra. Por lá, o Banco da Inglaterra emitiu a nota de 100 milhões de libras. Equivale a 740 milhões de reais, e é conhecida como Titã. O tamanho da cédula também é recorde: uma folha de A-4 (210x297mm). A imagem que a ilustra é de Britania – personificação feminina do Reino Unido. Estão guardadas, vigiadas, escondidas em cofres mais que seguros. Mas a Titã tem companhia das Gigantes, de um milhão de libras (R$ 7,4 milhões). Essas notas, porém, não estão disponíveis nos caixas eletrônicos nem circulam. Os ingleses a consideram importante demais para sua economia.

A Escócia e a Irlanda do Norte fazem parte do Reino Unido, mas emitem suas próprias cédulas. Só que lá a coisa é séria – se a Irlanda, por exemplo, emitir uma nota de 10 libras, precisa depositar esse mesmo valor no Banco da Inglaterra, equivalente ao nosso Banco Central. Em circulação, em todo o Reino Unido, a maior nota é de 50 libras. As Titãs e as Gigantes existem desde 1908, e se alguém quiser vê-las, há réplicas no museu do Banco da Inglaterra. Uma Gigante leva o autógrafo da rainha Elizabeth II.

Mas nota de alto valor não significa prosperidade. Países que convivem com a inflação galopante emitem notas com valor cada vez maior. Na Venezuela, por exemplo, há a nota de 50 mil bolívares – não valem mais do que 30 reais. No Zimbabue (África), o governo emitiu a nota de 100 trilhões de dólares zimbabuanos em 2008. Equivalia a 30 dólares americanos, e dias após o lançamento não valia mais nada. Ninguém a queria. Nos anos 1920, a Alemanha, destruída pela 1ª Guerra Mundial, lançou a nota de 100 trilhões de marcos, a moeda da época. Os alemães usavam essas notas para acender fogo. Usar o dinheiro como combustível era mais barato que comprar lenha ou carvão.

O Brasil também deu sua cota de mau exemplo. Em 1993, um ano antes do lançamento do Plano Real, o Banco Central lançou a nota de meio milhão de cruzeiros. Antes houve as notas de cruzados, invenção do governo Sarney, que por decreto afirmava que um cruzado valia o mesmo que um dólar americano. Sarney esqueceu de avisar os americanos.

Mas há bons exemplos de controle da economia. O Brunei é pequeno – tem 400 mil habitantes. Sua maior cédula é de 10 mil dólares de Brunei – equivale a 400 mil reais. Singapura também tem cédula de 10 mil dólares singapuranos, e cada uma delas equivale também a 400 mil reais. A Suiça tem a nota de mil francos suiços – praticamente seis mil reais. E aqui tem gente reclamando da nota de 200 reais.

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