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sábado, 4 dezembro, 2021
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Maracanazo fez 70 anos, mas público não esquece os vilões

No dia 16 de julho de 1950, aconteceu a final da Copa do Mundo, no estádio do Maracanã, recém inaugurado. Jogaram Brasil e Uruguai – e o Brasil era o favorito. Duzentas mil pessoas ocuparam o estádio, e jornais já estavam com suas manchetes prontas para comemorar a conquista. Locutores de rádio exaltavam as qualidades da seleção brasileira e praticamente defecavam nos uruguaios. Só que não deu certo – os uruguaios ganharam o jogo por 2×1 e ficaram com a Taça Jules Rimet. O Maracanã viveu clima de velório, silêncio absoluto. Aquele dia ficou conhecido como Maracanazo.

Como em qualquer desastre de futebol se procura culpados, o Brasil elegeu seus vilões pela derrota. Um deles foi o goleiro Moacyr Barbosa, que morreu em 2000 aos 79 anos. Numa entrevista dada anos depois em sua banca de jornais na Praia Grande, para onde se mudou, Barbosa definiu a situação: “No Brasil, a pena máxima é de 30 anos. Eu paguei a vida inteira por causa de uma derrota”.

Sua filha adotiva, Tereza, hoje briga para recuperar a memória do pai. Conseguiu que a prefeitura de Praia Grande desse seu nome a uma rua, construiu um memorial no cemitério e afirma categoricamente: “Precisamos virar a página, 50 já ficou pra trás. A verdade é que muita gente nem sabe que meu pai existiu. Temos de lembrá-lo pelo excelente goleiro que ele foi.”

Durante dez anos Barbosa defendeu o Vasco da Gama, e com ele foi seis vezes campeão carioca e uma vez sul-americano, em 1948. Chegou à seleção como titular absoluto. A desgraça veio naquele 16 de julho. Evitado pelos antigos amigos, buscou conforto com jogadores uruguaios, seus carrascos. Se tornou amigo de Ghiggia, autor do gol que deu a vitória ao Uruguai. E Ghiggia confessou a Barbosa: “Se eu soubesse, naquele momento, que a culpa cairia em cima de um homem só, não teria feito o gol”. Até o governo uruguaio o homenageou, não se sabe com qual intenção.

Herói dos uruguaios, Ghiggia também se ressentia da falta de respeito em seu país. Quando o Brasil voltou a receber uma Copa, em 2014, o autor do gol do bicampeonato uruguaio era o último sobrevivente do Maracanazo. Sua morte, no ano seguinte, soou como provocação do destino: 16 de julho de 2015, exatos 65 anos depois de alcançar a glória máxima na carreira. “Em vez de culpar um ou mais jogadores, os brasileiros deveriam reconhecer nosso mérito. Uma equipe valente que só pensava em triunfar no Maracanã, apesar de todo o favoritismo do Brasil”, afirmava o jogador.

Barbosa também nunca foi acolhido como um ex-jogador da seleção. Em 1993, quando o Brasil se preparava em Teresópolis para enfrentar o Uruguai, e de novo no Maracanã, Barbosa visitou a concentração, mas foi aconselhado a não posar para fotos ao lado do goleiro Tafarel, com a desculpa de preservar sua imagem. Desaconselhado é pouco. Foi mesmo é impedido.

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